Trabalho focado, por Carl Newport

Na primeira vez que fiz uma pesquisa, eu me isolei. Foram exatas duas semanas com o mínimo contato em meus perfis de redes sociais e foi ali que percebi (realmente) talento para análise de insights. Em outro momento ia para uma agência aos domingos, afim de não atrapalhar meu dia a dia, para realizar um mapeamento (extra) de um público-alvo novo e inusitado pra uma marca que amava trabalhar. Era delicioso porque tinha o lugar só pra mim. O que tem isso em comum? Trabalho focado, como Carl Newport chama o seu livro. 

A ideia central do livro é mostrar como você se tornaria mais competitivo (e próspero) se utilizar o isolamento como vantagem profissional. Talvez aqui, eu tenha a minha única crítica à publicação, porque ela servirá melhor para profissionais liberais e acadêmicos 100% dedicados à carreira. Muitas das dicas, de se isolar por meses para escrever um livro, ou se dar um luxo de não ter nenhum perfil nas redes sociais, não servirá para quem trabalha na era digital. No entanto, as dicas não perdem o brilho, sobretudo no período de férias que estamos entrando agora que podem ser importantes para aprender uma nova skill mais concentrado, organizar-se e trabalhar por 8h seguidas com o mínimo de interrupções. 

Nessa nova economia, três grupos terão vantagem: aqueles que podem trabalhar bem e criativamente com máquinas inteligentes, que são os melhores no que fazem e aqueles com acesso ao capital.

Newport, Cal. Trabalho Focado: Como ter sucesso em um mundo distraído (Locais do Kindle 407-408). Edição do Kindle.

Apesar de não ser rica, eu tirei um ano sabático em 2018 e entendi a importância do isolamento para estudar, trabalhar e se conhecer melhor. O que antes poderia ser uma desvantagem profissional, se tornou mais apurado e bastante promissor para um amadurecimento notável. No segundo semestre eu trabalhei intensamente com eleições e pude notar a diferença no foco, concentração e desempenho, mesmo estando rodeada de pessoas. 

Os escritórios atuais, sem paredes, forçam as interações e são um desafio para os introvertidos, como eu. No entanto, o maior problema está nas notificações dos smartphones, as distrações das redes sociais e, claro, os e-mails. O terceiro, sem sombra de dúvidas atrapalha, mas não conseguiremos fugir deles tão facilmente. A Thais Godinho ensina a reservar alguns momentos para checá-los e fala aqui uma técnica GTD que mudou minha vida. No entanto, o maior problema ao meu ver estão nas redes sociais e nos smartphones. Eles sim atrapalham de verdade. 

O autor argumenta a superficialidade do conteúdo contida nestes lugares, incluo aqui as discussões pretensamente profundas sobre política que são imbecis e desgastantes, conforme citadas no livro do Jaron Lanier. Gargalhei quando ele fala sobre como as pessoas se auto enganam falando da importância de ter um perfil no Facebook, por exemplo, e rebate dizendo que tudo consumido por nós, não passa de bobagem. O que é verdade.

ahahhahaha este é um bom meme

Curiosamente, ele não recomenda deletar, mas sim ficar 30 dias sem entrar em suas contas, afim de reduzir ou eliminar o vício. O que tem funcionado pra mim, também, no Facebook, é deletar pessoas que hoje são apenas contatos profissionais e movê-las para o LinkedIn, ou desfazer amizade com outras que não quero mais contato algum – o que se estende em outras redes –  não seguir ninguém e dar unfollow em todas as páginas. No entanto, eu vou testar esta técnica porque sempre costumo desativar o meu perfil. Estou estudando como lido com o Whatsapp que se tornou um problema, apesar de eu ter poucos contatos por lá. 

Não os desative formalmente e (isso é importante) não mencione online que estará se desconectando: apenas pare de usá-los. Se alguém entrar em contato com você por outros meios e perguntar por que sua atividade em determinado serviço caiu, você pode explicar, mas não saia por aí contando às pessoas. Depois de 30 dias desse isolamento da rede, faça a si mesmo as seguintes perguntas sobre cada um dos serviços que abandonou temporariamente: 1.​ Os últimos 30 dias teriam sido notavelmente melhores se eu pudesse usar esse serviço? 

2.​ As pessoas se importaram por eu não usá-lo? Se sua resposta for “não” para ambas as perguntas, abandone o serviço permanentemente. Caso sua resposta seja um “sim” claro, volte a usar o serviço. E se suas respostas forem ambíguas, cabe a você decidir retornar ao serviço, embora eu o incentive a sair. (Você sempre pode voltar depois). Essa estratégia escolhe especificamente as mídias sociais porque entre as diferentes ferramentas de rede que reivindicam seu tempo e atenção, esses serviços, se utilizados sem limites, são particularmente devastadores para sua busca em trabalhar mais profundamente.

Newport, Cal. Trabalho Focado: Como ter sucesso em um mundo distraído (Locais do Kindle 2909-2914). Edição do Kindle.

Tirando a birra (que ambos temos!!!) com as redes sociais, eu gostei da meditação produtiva que é aproveitar momentos bobos como lavar os pratos, por exemplo, e utilizar a mente como forma de trabalhar o intelecto: 

Dependendo de sua profissão, esse problema pode ser escrever um artigo, redigir um discurso, aprimorar uma demonstração ou melhorar uma estratégia de negócios. Como na meditação consciente, você deve trazer sua atenção de volta ao problema em questão quando começar a devanear ou a desviar o foco.

Newport, Cal. Trabalho Focado: Como ter sucesso em um mundo distraído (Locais do Kindle 2422-2425). Edição do Kindle.

Ademais, as vantagens apresentadas em você ter um objetivo de vida tornam tudo mais fácil diante daquela olhadinha rápida no Twitter que ajudará a estender o horário de trabalho. Pra quê perder tempo?

Ou melhor, como afirmou Newport: O que faz mais sentido agora?

 

Advertisements
%d bloggers like this:
close-alt close collapse comment ellipsis expand gallery heart lock menu next pinned previous reply search share star